Improbabilidades

Domingo passado foi o dia da prova da Biblioteca Nacional. Todos os inscritos foram alocados para a realização da prova no Fundão – maior campus da UFRJ – que é do lado da minha casa – Ilha do Governador -.

Feliz e contente me encaminhei com 1h30 de antecedência ao local de prova. 6h50 da manhã estava no ponto do ônibus interno da UFRJ que me levaria ao prédio da Reitoria – onde todos os bibliotecários fariam sua prova – , da passarela vi um ônibus passando. Perdi, nada demais. Encontrei alguns colegas , batemos papo, esperamos o ônibus aparecer, o que demoraria , normalmente, uns 10 minutos, chegando com folga ao local de prova.

A prova começa 8h

Deu 7h20 e o ônibus não chegou

Deu 7h25 e minhas colegas ficaram preocupadas e resolveram ir andando para tentar pegar um taxi – eu , incrédula – que o ônibus não ia passar – eu já fiz uns 5 concursos no fundão e em dia de concurso SEMPRE TEM MUITOS ÔNIBUS. Elas foram andando e eu fiquei, ainda com fé de que o ônibus iria aparecer.

Deu 7h30 e nada de ônibus. E o ponto tava lotado, e eu comecei a prestar atenção de que as outras ruas também estavam cheias de gente e vamos combinar – não tem tanto bibliotecário assim no RJ – perguntei pra um grupo do meu lado se eles estavam indo pra prova da BN , e eles na verdade estavam indo para a prova de Sargento da Aeronáutica que começaria 9h e que TAMBÉM era no fundão.

Me bateu a realidade, o ônibus não ia chegar, comecei a ligar pros meus amigos que eu sabia que iriam de carro – ninguém atendeu . Decidi ir andando e pegar um táxi.Cheguei na segunda rua e vi o CAOS. Trânsito totalmente parado na ÚNICA RUA que chegava ao prédio da prova, acidente de carro, várias pessoas correndo.

Eu comecei a correr com outros 3 colegas que na situação identifiquei que também estavam indo pra prova da BN.

Vou deixar aqui o caminho que teríamos que percorrer, faltando 20 minutos pra prova.

mapaa

RYSOS NÉ?

 

Mas fui correndo, encontrei uma amiga no meio do caminho, ainda estavamos INCRÉDULAS naquela situação. Diversas pessoas estavam desistindo de ficar nos ônibus e carros e estavam indo correndo também. Um cenário infernal.

Quando faltava 5 minutos eu estava no prédio do CT – onde iria ter prova de sargento – e lá o engarrafamento acabava, só que tinha uma rua fechada para o contorno, o que dificultava mais ainda o transito.

Eu olhei o relógio e vi que não ia conseguir nem correndo chegar no prédio da prova, eu pensei rápido e no primeiro carro que vi parando para deixar alguém fiz um dos pedidos mais cara de pau da minha vida – “MOÇO ME LEVA ATÉ AQUELE PRÉDIO ALI NA FRENTE EU PRECISO CHEGAR NA MINHA PROVA EM 4 MINUTOS!!!” 

No carro estavam pai, mãe, irmã, e 2 candidatos, um desceu no CT o outro iri descer no prédio do lado Letras, e eu lá  na janela suando em bicas pedindo uma carona.

A mulher me mandou entrar e ainda falou pro marido ” METE O PÉ, vamos ajudar a menina”

Eles perguntaram onde era o prédio de Letras que o filho ia fazer a prova, eu mostrei, o Lucas desceu correndo e o pai dele literalmente meteu o pé para me deixar na porta do prédio da reitoria.

Só deu tempo de agradecer e pedir pra Deus iluminar a vida deles, eu sai correndo MUITO para entrar antes do portão fechar!  Cheguei 8h em ponto. Entrei.

É claro que os elevadores estavam desligados e tive que subir 5 andares ainda.

É claro que cheguei na sala, destruída, acabada, adrenalina no céu. Mas eu cheguei.

Demorei uma meia hora ainda para me sentir pronta pra começar a prova.

E durante a prova do 5° andar todos escutamos os gritos e protestos de quem perdeu a prova por conta do trânsito, por conta da falta de ônibus interno na UFRJ – descobri depois que só tinha 1 circulando… aquele que eu vi passando lembram? – , pela desorganização da IDECAN em marcar um concurso em um local de acesso ruim às 8h da manhã e junto com um concurso ENORME como o de Sargento. Enfim, sei que em torno de 80 pessoas chegaram atrasadas , diversos amigos meus, que estavam naquele engarrafamento, que foram correndo mas não deu tempo…….

 

Fiz a prova do jeito que deu, de tarde fiz a outra para o cargo de técnico de nível superior – bibliotecário , mas foi um concurso com um clima ruim, decorrência desse problema do transito/ logística que até quem chegou na hora foi impactado , pelo barulho do protesto de quem não conseguiu chegar.

Qual a improbabilidade de você perder o único ônibus da cidade?  De ter um acidente no transito? De ter um concurso no mesmo dia do seu e que todo mundo resolveu ir de carro? Ou ainda conseguir uma carona no carro de uma família que vc nunca viu? Ou ainda tudo isso junto? Aconteceu.

Quero deixar aqui registrado o meu apoio moral a quem perdeu a prova, foi uma junção de situações que realmente era difícil de prever. Que vocês possam usar isso como uma alavanca no processo de estudo de vocês. Bola pra frente!

Quero agradecer a família do Lucas pela carona, provavelmente nunca mais vou rever vocês, porém minha gratidão será eterna! Muito obrigada por terem dado carona a maluca aqui!

NUNCA MAIS confio em prova no fundão rsrsrs Agora vou madrugar em todas! Domingo agora é a prova da própria UFRJ ! é 14h podem acreditar que 11h estarei lá! HAHAHAHA

 

 

Eu sempre falo que Ranganathan não faz milagre, mas certeza que meu guia espiritual tem trabalhado dobrado, esse dia foi um exemplo! Só posso agradecer!

PS¹-  Quando sair os resultados da prova vou comentar aqui e analisar as provas.

PS ² – Semana que vem entro de férias e vou fazer um mochilão de 28 dias na América do Sul – além de concurseira , sou mochileira 😀 Então o blog vai ficar parado esse tempo ok? Mas ele volta!

Beijos

Thalita Gama

 

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6 thoughts on “Improbabilidades

  1. Ainda bem que você conseguiu, Thalita ! Agora imagina toda essa dificuldade para quem não é do Rio de Janeiro. Cheguei ao fundão 6h45 junto com outra colega de São Paulo por puro medo das ‘improbabilidades’.. Local horrível, sem sinalização. Uma dificuldade ! Mas Raganathan está conosco ! Boa sorte !

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  2. Caramba! Que aventura, hein! Rsrs…
    Vejo que tive muita sorte de ter chegado às 7:01am lá.
    Estava engarrafado, mas muito tranquilo.
    Fiquei assustada com a revolta das pessoas – não sabia o q era – e demorei um pouquinho a pegar o clima de novo pra continuar a prova, mas vamos que vamos! Deu tudo certo no final.
    Uma pena para quem não conseguiu entrar… Também tive vários amigos que não conseguiram entrar.

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  3. Eu já tive que correr pra não perder uma prova também. Era domingo achei que não teria problemas com trânsito, só que nos domingo gente, os motoristas não correm e a quantidade de ônibus e metrô diminuem. Fiquei sentindo uma dor horrível nas canelas durante toda a prova.
    Não fui bem na prova. Mas não por causa da corrida e sim por não ter me preparado como devia.
    Boa viagem.

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  4. Me emocionei com o relato e sei como é difícil fazer uma prova assim. Tive amigos que não conseguiram chegar, cheguei a tempo. Mas é triste ver pessoas que lutaram não ter o direito de fazer a prova. Boa viagem!!

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